Suspeitas químicas <br> vêm à tona
A ONU confirmou o uso de armas químicas na Síria. Sem apontar responsáveis, o documento oficial foi conhecido depois de uma investigação jornalística acusar os EUA de ocultarem a posse daquele armamento por parte dos grupos terroristas, que prosseguem a campanha criminosa no país.
Os EUA pretendiam justificar uma intervenção
Num relatório divulgado quinta-feira, 12, a equipa das Nações Unidas fala em «evidências credíveis» e «consistentes com o provável uso de armas químicas» em cinco dos sete locais investigados, um dos quais Ghouta, na região de Damasco, a 21 de Agosto, onde, segundo as conclusões dos inspectores, citadas pela Lusa, foram encontradas «provas flagrantes da [sua] utilização contra civis a uma escala relativamente larga». Noutras quatro localidades, afirma-se, o mesmo tipo de armamento foi lançado também contra civis, soldados, ou ambos, sobretudo durante o passado mês de Agosto.
A missão científica da ONU não apurou responsabilidades, mas as autoridades sírias e a Rússia têm acusado de forma sustentada os mercenários de serem os autores deste tipo de ataques no contexto da campanha criminosa que protagonizam.
Ainda no domingo, o ministro da Informação da Síria insistiu, em entrevista à televisão pública, que a ofensiva terrorista, apoiada por potências imperialistas e estados vassalos da região, visa todo o povo sírio. Omran al-Zoabi exemplificou com o mais recente massacre perpetrado, quarta-feira, 11, contra a população da cidade de Adra, importante polígono industrial situado a Norte da capital.
Pelo menos 28 pessoas terão sido executadas pela Frente al-Nusra, vinculada à al-Qaeda, informou, de acordo com a AFP e a EFE, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, estrutura insuspeita de simpatias para com o governo liderado por Bachar al-Assad. O exército sírio, que sexta-feira iniciou uma intensa acção militar com o objectivo de libertar a localidade ocupada pelos jihadistas, fala em 80 fuzilados e inúmeros civis usados como escudos humanos, noticiou a Russia Today.
Relatório comprometedor
A divulgação das conclusões da equipa da ONU surgiu dias depois da publicação de um artigo na London Review of Books, no qual o veterano repórter Seymour Hersh acusa os EUA de manipularem deliberadamente as informações sobre o uso de armas químicas na Síria para justificarem uma intervenção estrangeira. Na investigação jornalística, Hersh não sugere culpados, mas refere que um relatório secreto enviado a um alto responsável de uma agência de informações norte-americana alerta para a capacidade da al-Nusra em adquirir e utilizar gás sarin, faculdade proporcionada por um antigo militar iraquiano.
Hersh afirma que a administração Obama seleccionou factos substituindo-os por suposições com o propósito de, em Setembro, promover uma acção militar. «Mais significativo, falhou em admitir algo conhecido pela comunidade dos serviços de informações: que o exército sírio não era a única parte com acesso ao sarin», escreveu Hersh, de acordo com a Lusa.
«Nos meses anteriores ao ataque [em Ghouta], as agências de informações norte-americanas produziram uma série de relatórios ultra-secretos que culminaram numa formal ordem de operações – um documento de planificação que antecede uma invasão terrestre – em que se refere a existência de provas indicando que al-Nusra possuía os mecanismos para o fabrico de gás sarin em quantidade», frisa. «Quando o ataque ocorreu, a al-Nursa deveria ser apontada com suspeita, mas Washington omitiu as informações para justificar um ataque a Assad», conclui.